segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Está a Crescer ...

O Pequeno Gnomo está por opção nossa - minha e do pai - desde que nasceu, em casa, com a nossa empregada. Nunca me senti confortável em deixá-lo, com 4 meses, altura em que retomei o trabalho, num infantário onde por mais cuidados que existam, a atenção é dividida por um grupo maior ou menor de crianças, e a exposição às doenças é muito maior - infectário é, creio, nesta perspectiva, uma denominação mais apropiada.

Salvo algumas dificuldades logísticas, por faltas da respectiva empregada, e dependência nossa da mesma, o que nem sempre é fácil de gerir (salvé, avós!!!!) , a coisa correu muito bem - pouquissimas doenças, infância aparentemente aprazível com tudo o que necessita ...

No entanto, com a proximidade da data que marcámos para que ele inicie a sua vida pré-escolar colcocou-se-me uma questão: Como vai ser a adaptação dele? Difícil, com certeza, dado o micro-clima em que tem vivido, com muito pouco convívio com outras crianças (à excepção dos primos, ocasionalmente) e habituado como está, a ter atenção, brinquedos, etc ... em regime de total exclusividade.

Meramente por acaso, a solução caiu-me ao colo. Um dia, em conversa com uma conhecida que tem uma filha praticamente da mesma idade do Pequeno Gnomo, conta-me ela que a filha tinha iniciado o seu contacto com a escola, à laia de ensaio (também ela tem estado em casa), num ATL vocacionado para estes casos (dito assim parece doença ...). No dito ATL havia uma turminha de 4/5 meninos que iam 2 a 3 manhãs por semana, acompanhados da respectiva empregada, começando aí a aprender a brincar em conjunto, partilhar, etc...

Inscrevi o Pequeno Gnomo e começamos essa fase em Maio do ano passado. A adaptação dele fez-se como uma rapidez tremenda, passando a ser inclusivé (estou convencida ...) uma das coqueluches da educadora e demais empregadas do ATL.

Tudo correu, assim, lindamente, até há 2 semanas atrás, em que numa sexta-feira, estando no meio de um dos meus stresses profissionais, me liga a dona do ATL preocupadissíma por achar que o Pequeno Gnomo estava a regredir no seu desenvolvimento.

- Porra! Só me faltava esta!!! - pensei.
- Mas então o que se passa? - perguntei.

Bom, sem nos apercebermos, o Pequeno Gnomo era o único que ainda era acompanhado pela empregada. Para isso creio terem contribuído dois factores: primeiro, o Pequeno Gnomo é o menino que mora mais longe do ATL sendo necessário transporte para ir e vir, pelo que não terá existido tanta pressão por parte da educadora para que passasse a ir sozinho e, em segundo lugar (mas não menos importante, estou convencida), a nossa empregada não vê com bons olhos entregar o seu rico menino nas garras daquelas bruxas que trabalham naquele antro de prodridão. Pelo menos sem que ela as esteja a vigiar com olho de lince e orelha arrebitada.

E esta questão final era, afinal, o cerne do problema. Segundo a dita senhora, por mais que elas (funcionárias) insistissem com a empregada para ir dar uma volta enquanto durava a sessão de socialização, não só ela apresentava cara feia à sugestão, como utlimamente o Pequeno Gnomo não queria ouvir sequer a mais ligeira menção a essa hipótese. Estaria pois a criar-se uma insegurança desnecessária no pirralho que urgia resolver ...

Bom, chamei a mim a responsabilidade de o passar a deixar sozinho na escolinha. Tirei férias no primeiro dia! Imaginei dramalhões e tragédias greco-romanas! Choros até sufocar, gritos lancinantes de "Mãmã, não me deixes aqui!!!!".

A sessão de preparação, realizada na véspera do grande acontecimento, mostrava uma segurança da minha parte que estava longe de sentir - amanhã a mamã deixa-te na escola e ficas lá a brincar com os outros meninos. Vai ser tão divertido, não vai?

A realidade revelou-se totalmente diferente do que imaginei: despediu-se de mim à entrada com um beijo e seguiu pela mão da educadora para a sala. Fiquei uns minutos à espera: vai chorar, vai chorar ... não chorou, não chamou e, vi depois pelo vidro exterior, concentrou-se completamente na brincadeira que o aguardava. Fui-me embora. Quando o fui buscar contou-me entusiasmado como tinha sido a manhã na escola - as brincadeiras, os nomes dos amigos, os desenhos feitos.

Como prémio pelo bom desempenho em mais esta etapa pediu para ir jantar fora ao restaurante do piu-piu (o seu restaurante preferido na Expo!).

Estoirei de orgulho pela coragem com que enfrentou aquilo que lhe pedimos. Tremi também por mais esta prova de como o comportamento adulto influencia determinantemente o da miudagem (enquanto for o de outras pessoas, posso protegê-lo, mas quem o protege de mim quando eu proceder erradamente sem disso tomar consciência?!?).

O Pequeno Gnomo apanhou a estrada que o levará à vida adulta, cheia de desafios, novas etapas, alegrias e desaires.

O Pequeno Gnomo está a crescer ... E eu estou muito orgulhosa dele!

1 Comments:

Blogger LUIS said...

Aguardo ansioso o momento em que ele comece a gostar de brincar com soldadinhos airfix, de jogar civilisation, de me secretariar na Liga Record. Isto do processo de crescimento agora não pára!

segunda-feira, fevereiro 20, 2006 2:31:00 da tarde  

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