sábado, dezembro 30, 2006

Sem resposta...

- A Sissi partiu a cabeça!
- "Como foi, mamã?"
- Tropeçou no passeio e bateu com a cabeça no chão!
- "Que barulho fez a cabeça dela quando bateu no chão, mamã?"


sexta-feira, dezembro 22, 2006

Hora da sesta


O puto teimava nos seus truques habituais para fugir ao sono. "Quero água", "quero leite", "quero uma bolacha", "quero um boneco", "quero uma história", "quero brincar", nhónhó, nhónhó, nhónhó...
A mãe estava exausta. Os preparativos para o Natal, aliados a um período de pressão profissional intensa e a uma série de noites mal dormidas ("Quero água!" às 3 da manhã, e não há amor maternal que resista!), contribuíam para uma vontade imensa de também dormir uma sesta.
"Não queres beber nada! Toca é a dormir e é já!", explodiu ela.
O miúdo ficou silencioso uns minutos. Depois, armou um sorriso trocista e disse - "Mamã, tu fizeste uma birra..."

terça-feira, dezembro 19, 2006

Uma resolução do pequeno gnomo


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Hoje, quando cheguei a casa, deparei-me com o pequeno gnomo em estado de aflição. "Alturas! Alturas!" (o puto cresceu; agora, em vez de personificar o Noddy, decidiu tomar o lugar de Bob, o Construtor. Eu passei a ser o Alturas, uma grua. Faz sentido, se se pensar na quantidade de vezes que o puto me pede colo...).

"O que foi, Bob?" - perguntei-lhe eu. - "A espada do Capitão Gancho! Foi pelo cano abaixo!".

Ele gosta de levar bonecos quando se senta na sanita. Pelos vistos, hoje aconteceu um acidente. Já não bastava ao Capitão Gancho ter o crocodilo atrás dele, a fazer tic-tac, para agora perder a sua espada por uma sanita!
Lado bom da história - "Nunca mais levo nada comigo quando fôr à sanita, Alturas! Nunca mais!".

terça-feira, dezembro 05, 2006

Escatologia ranhosa


- Não ponhas o dedo no nariz!
- É que tenho aqui um macaco; aliás, são dois!

- Que nojo! Meteste o dedo no nariz e depois puseste na boca. Aaargh! Isso não se faz!
- Eu gosto de comer ranho. Eu sou muito guloso, papá!

quarta-feira, novembro 29, 2006

Orgulho de Pai

Orgulho-me quando vejo o meu filho crescer, fazer coisas que dantes não fazia, pôr o leitor de DVD's a funcionar, comer sozinho... enfim, evidenciar skills que me demonstrem que está no bom caminho para uma vida feliz e bem sucedida.

Esse orgulho atingiu um ponto máximo há uns dias atrás. A Sissi ia dar banho ao puto e reparou que, estranhamente, ele estava todo cagado. O estado das cuecas revelava um dia sofrido na escola. Mas que esquisito! Então as auxiliares limparam-no e não lhe trocaram as cuecas?! Ele tem uma muda de roupa na escola, exactamente para estas situações de aperto!
O mistério subsistiu até à manhã seguinte, altura em que o pequeno gnomo decidiu desvendar o enigma. Ele estava na Ginástica quando sentiu uma vontade avassaladora de ir à casa-de-banho. O professor recomendou-lhe que fosse ter com a educadora. O puto ia a caminho quando, por decisão própria ou alheia, a natureza fez a sua obra.
O meu orgulho nasce do que ele fez a seguir - cagada feita, pediu para ir sozinho à casa-de-banho, onde limpou as cuecas, cobriu os sinais mais evidentes do sucedido, lavou as mãos (?), e saiu como se nada fosse!
Se isto não demonstra claramente um perfil para altos cargos de chefia, não sei mais nada. O verdadeiro líder é aquele que, acima de tudo, resolve as suas cagadas e sai delas como novo. Auguro-lhe um futuro auspicioso!

segunda-feira, outubro 30, 2006

Inquietações religiosas


Domingo. Missa. O padre abre o Livro, lê umas frases, fecha o Livro e prossegue a homília.
O pequeno gnomo fica confuso:
«Puqué ele continua a falar? Já acabou a história!»

terça-feira, outubro 03, 2006

Aventuras no recreio da Pré-Primária


Aparentemente, o pequeno gnomo fez uma grande amizade com a Purificação (nome fictício), uma menininha de 3 anos lá da escola. Não são da mesma turma, pelo que praticamente só se encontram no recreio.

As actividades a que se entregam nesses momentos não são muito surpreendentes, tendo em conta a sua idade; no entanto, eu fiquei admirado... Pelos vistos, brincam aos "sustos" - ele faz de monstro, ela de fantasma, e assustam os "bebés" no recreio. A particularidade mais revoltante é a definição dos alvos: os "bebés" são os meninos ou meninas que usam chucha, o que confere um estatuto de "patrulheiros" da escola ao par de outlaws que, todos os dias, revive as aventuras de Bonnie & Clyde no recreio da escola. Bandoleiros montados em triciclos, escapando das vigilantes, a urrar contra meninos estarrecidos a olhar para eles, com vontade de chorar e de afogar as mágoas numa chucha convidativa.
Só espero que os pais desses "bebés" não lhe façam uma espera um dia destes...

sábado, setembro 23, 2006

Desta eu não estava à espera...

O puto continua bem adaptado às alterações repentinas que aconteceram na sua vida esta semana. A rotina da escola inclui uma sesta depois de almoço. 50 criancinhas a adormecer numa sala, eis um projecto que não me alicia pessoalmente! Há quem consiga fazê-lo, e só posso aplaudir veementemente (esta palavra é estranha, não é?) quem inocula o meu filho com hábitos de sono saudáveis.
Bom, mas dizia eu que a adaptação está a correr muito bem - fez amizades novas, brinca muito, dorme a sesta, come sozinho, não chora. No capítulo das amizades, destaca-se uma menina de 3 anos, a Purificação (nome fictício). No primeiro dia de escola foram praticamente inseparáveis. Depois, mesmo estando em "turmas" diferentes, esforçam-se por se encontrarem. Ontem, os sinais vermelhos de alarme soaram quando o puto me confidenciou, com um ar malandro como só aos 3 anos se consegue ter: «Hoje convidei a Purificação para dormir comigo, papá...».
Há coisas para as quais eu sinto que, como pai, não estou ainda totalmente preparado. Neste departamento, sempre considerei que teria no mínimo uns 10 anos para me mentalizar e antecipar situações deste género. A verdade é que elas acontecem quando menos se espera!
Enfim, parece que - pelo menos ontem - não dormiram a sesta em camas contíguas. Houve dificuldades logísticas de permeio (e não surgem sempre essas dificuldades, a aguçar o nosso engenho?). Ele dorme numa caminha no meio da sala, ela dorme mais para o lado da janela. Mas ele mantém a garota debaixo de olho: «Ela dorme com um ursinho. Ela gosta muito de ursinhos, papá...».

quarta-feira, setembro 20, 2006

Prova superada?

Hoje foi o primeiro dia de escola do pequeno gremlin. Que é como quem diz, a primeira prova pública que os pais têm de prestar àcerca da sua qualidade parental. Essa é pelo menos uma das formas com que muitos pais encaram este dia fatídico. Os outros pais apenas fazem votos que o Natal chegue depressa, antes que tenham de cortar os pulsos para terminar o sofrimento em que vivem. Sim, pode ser assim tão mau, sim.

As criancinhas que vivem sozinhas em casa com amas ou avós e sem irmãos, com pouca ou nenhuma experiência anterior de escola, creche ou infantário , constituem o grupo de risco mais temido. Até ontem, foram principezinhos, pequenos reis, mimados e estragados. A partir de hoje, são mais um na sala, não podem fazer tudo o que querem quando querem, não têm acesso privilegiado aos brinquedos, aos baloiços, aos triciclos, têm de comer sozinhos, têm de disputar a atenção da educadora com outros 24 membros da realeza... o Mundo parece que lhes vai fugir!

Há mães proibidas de entrar nos Colégios, porque quando o fazem para depositar os seus rebentos deixam um rasto de ranho persistente e repulsivo. Há crianças que gritam por socorro. Há registo de apelos lancinantes - "Mamã! Eu gosto muito de ti, não me abandones aqui! Mamã! Mamã!". Há dados sobre traumas, danos psicológicos, laqueação de trompas, vasectomias, eu sei lá! Pessoas incapazes de trabalhar antes de almoço, tal a tensão e o choro compulsivo em que ficam.
Por enquanto, está tudo bem para o meu lado. Amanhã, temos outro round. Tenho uma ganda fezada, eu acredito que vá tudo correr bem. Vamos passar por isto dia a dia, superar cada dificuldade em conjunto.
Puto, já sabes - se continuar a correr tudo bem, se continuares a ir mais cedo para a cama, a levantar-te bem-disposto, com vontade de ir para a escola, a não armares cenas aos teus pais, a gostares da escola e a não contribuires para um nosso qualquer complexo de culpa - então aí, puto... grande Natal que vais ter este ano!

Primeiro dia de escolinha

Foi hoje. E correu surpreendentemente bem. Nada de choros, gritos ou qualquer manifestação negativa em relação à escola. Pelo contrário. Como hoje se vinha embora depois do almoço, perguntou-me porque não ía fazer tudo.
Andei apreensiva nos últimos dias. Não porque não imaginasse que podia correr assim, mas influenciada pelas histórias dos pais de tantos meninos da idade dele que começaram a escola este mês. Experiências, em geral, intensas, do ponto de vista emocional. Com muitos choros e sentimentos de culpa à mistura.
Connosco, não. Quando viu a educadora, correu para ela de braços abertos (já a conhecia do dia da primeira visita). Encontrou, logo nos primeiros minutos, uma amiguinha que fez nessa primeira visita também. A educadora contou-nos depois que não se largaram toda a manhã.
Comeu sozinho e muito bem. Disse o que gostava e o que não gostava (a sobremesa, por exemplo, era gelatina ...).
Contou-nos tudo na viagem para casa - brincaram com plasticina na sala e chocou com um menino no recreio.
Sabe que vai voltar todos os dias, e quer voltar amanhã, para fazer tudo (incluindo a sesta!).
Correu-nos, de facto, muito bem para primeiro dia. Vamos ver se é para continuar ...
Registe-se para a posterioridade o facto de não lhe agradar absolutamente nada vestir o bibe. Acha que é roupa de menina ...
Um futuro cheio de sucessos e coisas boas, meu filho.

sábado, setembro 09, 2006

A Vaca Arnestina e as voltas que a vida dá


Há dias comprei um disco de José Barata Moura. Joana come a papa, Olha a bola Manel, a história daVaca Arnestina Maçaroca, entre outras, fizeram as delícias de gerações, logo a seguir ao 25 de Abril, e continuam a fazer, a julgar pela reacção do puto.
Já nem consigo ouvir rádio dentro do carro. Em compensação, conheço a letra da Vaca Arnestina Maçaroca de trás para a frente!

José Barata Moura é reitor da Univerdade de Lisboa. A vida dá voltas engraçadas, não dá?

quarta-feira, setembro 06, 2006

De olhos nele...

Hoje, 6-9-6, começou a saga

segunda-feira, setembro 04, 2006

Frases...

No primeiro dia depois do regresso de férias (mais de 4 semanas seguidas no Algarve) estava excitadíssimo.
- Porque não dormiste a sesta?
- Puqué ê 'tava aflito pa bincá com os mês binquedos!

Começaram as dúvidas filosóficas
- Mamã, as pessoas não vão para o Céu, pois não?
- Ãããh...
- Puquê se fossem, o Céu ficava muito pesado e caía, não era, Mamã?

Com a Sissi:
- Sissi, compas aquele popó gande pa mim?
- Ãããh... Primeiro tenho de perguntar ao Papá e à Mamã se posso.
- Acho que isso não é uma boa ideia, Sissi!

A jogar à bola, no quarto dele. Eu lanço a bola (uma daquelas de praia) por cima dele.
- Isso não é justo, Papá!

domingo, julho 16, 2006

Terror no Bairro de Alvalade!


Quando o pequeno gnomo fez 3 anos ofereceram-lhe um boneco da National Geographic, muito giro, que foi baptizado de "Gonzaga". No mesmo dia ofereceram-lhe também um camião-betoneira, de dimensão apreciável, que tem sido um bom companheiro para o fedelho.
Há dias, perguntei-lhe pelo Gonzaga, depois de reparar que o casaco do boneco estava abandonado no meio do chão.
O pequeno Smeagol foi buscar a betoneira, com indisfarçado orgulho. E foi aí que me mostrou o corpo de Gonzaga, sepultado dentro da betoneira e com um pormenor arrepiante - a cabeça tinha sido propositadamente separada do corpo - à dentada!
Não sei o que o Gonzaga aprontou lá no quarto (terá recusado uma proposta irrecusável?), mas a vingança perpretada pelo pequeno Capone foi ao nível das piores famílias italo-americanas!

domingo, julho 09, 2006

Amor de Pai


Só um grande amor de pai para sair do restaurante da praia no final do prolongamento, quando vai começar o desempate por penalties da Final do Campeonato do Mundo.
Cedi ao pedido de irmos para casa ver (mais um...) filme do Noddy.
Ou é amor de pai, ou um imenso desinteresse pelo resultado deste jogo entre franceses e italianos.
Não torço por uns porque nos eliminaram (já por 3 vezes nos lixaram a vida), não torço pelos outros porque sou geneticamente incapaz de torcer por qualquer equipa italiana.
Venha o Diabo e escolha. Pena é não poderem perder os dois.
E que grande cabeçada do Zidane, hein?!

quarta-feira, julho 05, 2006

O insustentável peso da paternidade


Ser pai acarreta grandes responsabilidades. Há decisões que podem condicionar, de forma indelével, a forma como os filhos irão olhar para o Mundo. Mesmo as decisões mais comezinhas, do dia-a-dia, podem ter resultados, influências inomináveis, que se voltarão contra nós com o apoio de um qualquer psicanalista acusador. Ele é mau aluno? Devia ter investido mais tempo a ajudá-lo nos deveres da escola. Ele não consegue manter-se num emprego? Talvez tenha exagerado no valor das mesadas que lhe dei.
Uma das decisões mais críticas e mais influentes que um pai pode tomar na vida de um puto consiste na escolha da escala dos soldadinhos de plástico. Mais do que a marca (Airfix, Revell, Italieri, etc.) ou a época histórica preferida (Romanos, WWII, Napoleónica, etc.), o dilema entre o 1/72 ou o 1/35 é uma decisão de proporções gigantescas, para as quais conheço poucos pais que estejam devidamente preparados.
O 1/72 tem vantagens óbvias: possibilidade de mais soldados, de mais variedade, de um domínio superior sobre os pequenos humanos. Por seu lado, o 1/35 tem uma qualidade de acabamento e de pormenor infinitamente superior, permitindo até, para alguns pais mais dotados, a pintura dos soldadinhos.
Optei pelo 1/72. E terei de viver com o peso dessa decisão.
A próxima decisão afigura-se ainda mais complexa e marcante: qual a escala que devo escolher para a linha de comboio? Esta decisão ainda é mais definitiva, porque representa não só a escolha de uma bitola como condiciona todas as carruagens no futuro!
Sinto-me esmagado pelo peso da responsabilidade. É por estas e por outras que se diz que ninguém está preparado para ser pai! Porque é que não tive uma filha?!

terça-feira, julho 04, 2006

Vergonha...

Entramos na pastelaria onde costumamos tomar o pequeno-almoço, eu e o Vasco. Vejo de relance um garoto da idade dele a brincar com um saco de tacos de golfe em miniatura. O Vasco está na fase de pedir tudo o que veja e lhe agrade.

- Mamã, eu quero aquele brinquedo!
- Ó Vasco, a mamã não tem dinheiro. Não podes comprar tudo o que vês! - sussurro-lhe.

Conformado, aproxima-se do garoto e espreita o saco. Brincam um pouco juntos. A avó da criança sentada perto deles, chama o neto.

- Francisco, são horas de irmos para a escola.

O Vasco exige que o brinquedo fique.

- Deixa lá, Vasco. O Francisco tem que ir para a escola e quer levar o brinquedo, mas depois a tua mamã compra-te um igual.

Pastelaria cheia.

- A minha mamã não tem dinheiro para comprar um! - berra o Vasco.

Eu escondo-me perante a gargalhada geral. Não é meu filho ... encontrei-o agora mesmo ali na esquina ...

terça-feira, junho 20, 2006

Vikings vs. Normandos



Decidi estrear o pequeno gnomo nos caminhos da Sétima Arte com o "Astérix e os Vikings". Primeiro, uma nota sobre o título - o filme assenta sobre o livro "Astérix e os Normandos". Em rigor, de um ponto de vista histórico, concedo que fazem bastante mais sentido os Vikings do que os Normandos. Por outro lado, este título irrita-me. Quase tanto como o Abraracourcix ter passado a Matasetix e o Assurancetourix ter sido renomeado para Cacofonix. É por aqui que começa o Generation Gap! Se nem nas personagens do Astérix nos podemos fazer entender com os nossos filhos, como acompanhá-los nas escolhas difíceis que os esperam ao longo da vida?! Enfim, agora num registo sério - porquê mudar o nome da história? Porquê mudar o nome das personagens?!
Bom, quanto à ida ao cinema - surpreendentemente o puto portou-se muito bem, melhor do que eu tinha imaginado. Houve, contudo, uma questão a assinalar: o intervalo apanhou-o completamente de surpresa: "O filme já acabou?" - Não, é só o intervalo - "O que é isso?" - De facto, é um conceito difícil de assimilar para um espécime da Geração DVD...

terça-feira, junho 06, 2006

O Colégio - Corolário

Após alguns despertares cedo de mais por parte do meu marido, três negas, e da decisão mais ou menos óbvia de pôr o V. num pequeno colégio de bairro, perante a falta de alternativa, eis senão quando, no final de Maio, nos telefonam de um onde não tinha entrado anteriormente, para nos informarem que havia uma desistência.
Não foi inicialmente, dos três eleitos, o que preferíamos, por um simples motivo: de entre os três, era o que nos parecia mais conservador.
Ontem fomos à entrevista de pais e conhecer melhor o colégio. Gostámos. Muito. Da organização, dos métodos pedagógicos, do tipo de preocupações com os alunos (principalmente os mais pequenos) e também das instalações, com imensos espaços verdes e luz natural.
Coroa-se assim de sucesso a nossa demanda pela educação que nos parece mais adequada para o pequeno gnomo. Iremos dando conta dos progressos a partir de Setembro.

sábado, junho 03, 2006

Pai herói

Trabalho em informática. Tenho uma mesa, uma cadeira, um PC e um telefone. Perto da mesa, há uma impressora; dando mais uns passos, está a máquina do café. Respiro ar condicionado. Cerca de metade (ou mais...) das minhas interacções com pessoas é realizada através do Outlook. Utilizo demasiado o telemóvel.
Por vezes, fico a trabalhar até tarde. Frequentemente, estando em casa, tenho de tratar de assuntos de trabalho por telemóvel.

O pequeno gnomo costumava perguntar-me o que é que eu fazia no trabalho. Agora que lhe expliquei, já ficou tudo claro para ele, e sinto até um novo respeito da parte dele, ao olhar para o pai.
Obviamente, menti-lhe. Está convencido que o papá limpa os riscos que os aviões deixam no céu. Nem todos podem ser bombeiros ou condutores de ambulância, ora essa!

quinta-feira, maio 25, 2006

Pois claro que fico chateado!


Há dias passei pela FNAC, numa das romarias nocturnas a que o pequeno gremlin me tem obrigado para poder andar nos carrinhos do Colombo; só nas duas últimas semanas foram 4 idas! Encontrei um CD lúdico, com jogos do Noddy, que me levaram a pensar num outro modo de entretar o pequeno zorg em casa.

Chegados a casa, enfiei o disco no portátil e iniciei os procedimentos de instalação. Cedo cheguei à conclusão que se passava algo de estranho, uma vez que - ao escolher o directório onde iria instalar o jogo - os nomes dos folders apareciam truncados, com um máximo de 8 caracteres. Ao aceder ao ficheiro leia-me.txt, tudo se tornou claro: trata-se de um jogo com 8 anos que ainda fala em DOS!!!
Enfim, o ficheiro NODDY.EXE foi colocado no hiper-espaço, alguns dos jogos não funcionam, mas como o puto gosta mesmo muito do Noddy, isso não chateia muito.
Ainda o que me irrita mais é o facto do disco ser brasileiro e não português - apesar de não existir nenhuma indicação na capa com essa informação. E se isso me irrita não é pelo sotaque - é porque os nomes das personagens são todos os diferentes. A Teresa agora é Tessi, o Sr. Lei é o "Seu Firmino"... até o Rato Não-Sei-Quantos passou a ser o Camundongo Não-Sei-Das-Quantas!! Isto é grave - explicar uma porra destas a um puto de 3 anos que está na fase dos "porquês" não é fácil. Irra!

terça-feira, maio 23, 2006

Batalhas nocturnas


O pequeno gnomo estava particularmente irrequieto nessa noite. Por mais tentativas que eu fizesse (um episódio da Heidi, o filme do Willy Fog, o que quer que fosse!), não havia maneira de o pequeno schtrumpf dar mostras de cansaço.
Por volta da meia-noite, consegui metê-lo na cama. Antes de lhe contar a história que finalmente o iria enviar para uma noite de sono sem interrupções (a expectativa mais alta que eu tenho nesse horário é essa...), optei por uma abordagem inovadora, para o deixar mais sonolento: «O papá tem de ir à casa-de-banho. Volto já!».

Fecho-me na casa-de-banho, depois de aí ter introduzido o jornal, e preparo-me para uma leitura de 10 minutos, à espera de o encontrar já meio adormecido, poupando-me o trabalho. Ouço-o, irrequieto, na cama dele: «Fica quieto ou o papá já não conta a história». Para essa noite tínhamos agendado o "João e o Caule de Feijão", pelo que imagino que a ameaça seja suficiente para o acalmar. Não é. É, sim, motivo para que o pequeno gremlin apele ao seu pragmatismo. Para que eu me despache, ele grita: «Vem no mê quarto! Faz cocó na cueca, papá!!».

sábado, maio 20, 2006

Desportos radicais


Lá em casa andamos no "treino do bacio". É uma actividade que movimenta tanta ou mais adrenalina como o bungee jumping, ou outro desporto radical do género: assemelha-se de facto a um salto no desconhecido.

As regras do jogo são simples - tiramos-lhe a fralda e confiamos que 1) ele nos avise que precisa de fazer chichi e/ou cocó e 2) ainda vamos a tempo de alcançar a retrete.
Há dias em que o pequeno gnomo aparenta ter tudo controlado, mas também há retrocessos, verdadeiras cagadas e borradas que nos levam a pensar, por vezes, se o puto vai largar a fralda alguma vez na vida.
Há uns dias atrás, já depois de fazer o cocó devidamente na retrete, o pequeno porquinho foi chamar a senhora que passa os dias com ele, lá em casa: «Sissi! Sissi!» (nome fictício). «O que foi, meu filho?» - «Chichi! Já fiz!». Chiça!! - «Já fizeste?! Então estás molhado, temos de mudar as cuecas e as calças! Onde foi que fizeste, para lavar o chão?» - o puto leva-a ao local do acidente: «Foi aqui, Sissi!». A Sissi vê uma poça no chão, suspira, arregaça as mangas e inicia a tarefa - começando exactamente por secar o fedelho. Qual não foi a surpresa da pobre senhora ao verificar que as cuecas estão secas. Então como foi isto?! O puto explica, ufano: «Ò Sissi, ê quedia fazê chichi, tirei as calça e a cueca e fi nu chão. Depois puxei a cueca pra cima ôta vez!». Além de porquinho, é um bandalho asseado!

segunda-feira, maio 15, 2006

Flashbacks

Há três anos atrás ...
Tinha acabado de aterrar nas nossas vidas o Pequeno Gnomo. Estava feliz e perdida ao mesmo tempo. Começava a ter sintomas de uma ligeira depressão pós-parto ...
Mas não me cansava de olhar para aquele pequeno embrulho ao meu lado.

Há dois anos atrás ...
Véspera do nosso casamento ... Apesar de ser um marco apenas formal nas nossas vidas, senti-o como uma grande conquista, individual e a dois. Foi um momento muito bonito, reviver naquela meia-hora, as angústias e alegrias da nossa história.
Chegamos mais longe do que alguma vez me atrevi a pensar!

Há um ano atrás ...
Apanhamos o maior - e até agora único, felizmente - susto com o gaiato. Estatelanço no chão, cabeça aberta, sangue por todo o lado. Condução perigosa até ao hospital de Faro, aflição total. Afinal tudo se compôs com quatro pontos, duas bolas de gelado e várias voltas no carrinho vermelho (já desaparecido...) da marina de Vilamoura.

Para o ano, quem sabe?...

sábado, maio 13, 2006

3 anos

Hoje o Vasco faz três anos. Com isto uma nova fase (mais uma ...) se abre na vida dele e na nossa - a entrada para a escola, uma nova rotina, outras variáveis ...

Desde o início - marcado pelo segundo dia de vida em que chorou durante cinco horas porque os pais não se lembraram que é necessário mudar a fralda frequentemente aos recém-nascidos - já percorremos um longo caminho ... com momentos difíceis, com sobressaltos, mas também com muitas conquistas e alegrias.

Não quero esperar de mais nem de menos dos anos que se seguem na tua vida, espero apenas conseguir preparar-te o caminho na medida certa ...

Parabéns.

sexta-feira, maio 12, 2006

Uma pequenina alegria


A caminho do Colombo, passamos à frente do Estádio da Luz. O pequeno goblin aponta com o dedo e começa a gritar: «Papá! Papá! Um piu-piu gande! Piu-piu gande!».
Não consigo conter o riso - "Pois é, é uma passarinha grande, sim. Uma galinha." Eheheheh. «Papá! Ête piu-piu é mau!» - Sim, claro que é má! Melhorou - ehehhe. Já estou a ver o puto em Alvalade, um rapaz bem-formado. Spoooorting!

Que mania!


Chego a casa vindo lá da repartição. Vê-se que o pequeno lemming já há algum tempo estava ansioso que eu chegasse, para me pedir qualquer coisa. «Vamu ú Culombu!». Ao Colombo?! Mas por que é que queres ir ao Colombo a estas horas? «Andá de popó!». Fónix, malditos sejam os gajos que se lembraram da porra dos carrinhos que se alugam por 2,5 euros, fazem lembrar camiões e os putos todos adoram! Bom, pelo menos o puto não quer ir comprar nada. Enfim, não enquanto não tivermos entrado no Centro... má sorte!

sábado, maio 06, 2006

Finalmente, esta palavra!


Sou preguiçoso. É escusado estar com meis palavras ou com eufemismos - não, sou mesmo preguiçoso. Gosto de estar de papo para o ar, sem fazer nada. Um dos maiores prazeres que tenho é uma sesta depois de almoço, aos fins-de-semana (ou depois do pequeno-almoço, quando estou de férias). Uma das coisas que desde sempre me acompanhou - e, especialmente nos meus tempos de faculdade, levei bastante a sério, com intuitos perfeccionistas - foi a sorna. A sorna é aquele período matinal entre acordar e levantar. Uma boa sorna pode durar 2, 3 horas. Desde que o pequeno gnomo veio morar vá para casa que é um desporto que não tenho praticado.
Esta última noite o puto acordou. Trouxe-o para a minha cama. Por volta das 8 acordou, mas não lhe dei grande conversa, pelo que adormeceu novamente. Às 9:30, 10 horas, já me perguntava se já era dia. Disse-lhe que sim, que o sol já tinha nascido, mas inspirei-me e julguei chegada a oportunidade - Queres que te ensine uma coisa nova? «Xim». Passo-lhe o conceito de sorna. Rapidamente passamos para aplicações práticas. A lição foi coroada de sucesso. Levantámo-nos às 11:20! Acho que ganhei um seguidor...

Fiquei sem palavras


Estava a dar o almoço ao puto. Uma canja, seguida de esparguete com carne.
Quase no fim da canja, o fedelho pede-me água. Respondo-lhe que já vou buscar, mal ele termine de comer a sopa. Ele corrige-me: «Ito num é xôpa, ito é canja». Dou-lhe razão e fico inchado de orgulho - ai o meu filho é tão esperto! Depois de engolir mais uma ou duas colheradas de canja, o puto sentencia: «O papá num sabe de nada!». Sou apanhado de surpresa: O que foi que disseste? Ele nã só repete a afirmação da ignorância completa do pai como também me explica a diferença entre uma sopa e uma canja. O pespineta! Fico sem palavras e vou-lhe buscar a água. Ò inclemência, ò ingratidão! Sacana do puto...

segunda-feira, maio 01, 2006

Sul

O pequeno gnomo fez uma sesta de mais de 3 horas. Como o vamos cansar e moer até serem horas de dormir outra vez? 'Bora enfiarmo-nos no carro e ir até Comporta? 'Bora lá, grande ideia!
O Comporta Café tem uma esplanada espaçosa, mas mais do que isso: tem um pedacinho de praia, com "pufes" e redes. O duende não pára - chutos na areia, baloiço na rede, da praia para a esplanada, da esplanada para a praia. Os pais assistem da esplanada, bonacheirões, de copo na mão. Isto foi mesmo uma grande ideia!
O jantar corre bem. A correria abriu o apetite do pequeno goblin, que desmancha uma sopa de legumes e um peixinho grelhado, seguidos de duas bolas enormes de gelado. Vai dormir que é uma beleza, congratulam-se os pais.
Na viagem de regresso a Lisboa, o pequeno troll tenta manter-se acordado. À entrada da ponte Vasco da Gama, vitória inapelável dos pais e das forças do bem. Ressona já bem alto. Ganhámos!
A transposição para a cama corre mal. "Quero água!". Vai já buscar, antes que ele acorde mesmo! "Quero ver um filme!". 'Tá tudo lixado, o pequeno gremlin está acordadíssimo!
Bolas, é uma e meia da manhã, puto! Vê se dormes!

(imagem do Comporta Café retirado do Google imagens, de thecardinaldelaville)

terça-feira, abril 18, 2006

Entre mãe e filho não se mete a colher

Domingo de manhã. Demasiado cedo ...
- Papá!
- Diz, Vasco. Pai muito ensonado, voz de Deixa-me dormir, puto!
- Quéo o papá ati no mê cátu!
Resolvo dar-lhe a borla (ao pai), depois do empenho demonstrado na noite anterior quando o adormeceu e eu fiquei a ver o Dr. House.
- A mamã vai aí.
- Nã quédo! Quéo o papá!
- Não queres a mamã?!? Então?!?
- Quéo o papá!
- Estás zangado com a mamã?
- Tou!
- Então porquê?!?
- A mamã deu uma palmada no mê rabinho!
- E por isso estás zangado com a mamã, é?
- Xim.
- Está bem. Então ficas aí à espera que o papá acorde. Eu vou tomar o pequeno-almoço.
Sigo para a cozinha e fecho a porta. Ouço-os falar ao longe, sem perceber o que dizem. Penso se não terei exagerado na palmada da noite anterior... O normal, portanto.
- Mamã!
Vou lá, penso. Tenho que agarrar a oportunidade para fazer as pazes, sem no entanto me mostrar muito ansiosa.
- O que queres à mamã?
- Dar beijinhos.
- Ai é?
- Ai é!
Chego-me a ele. Agarra-se a mim e dá-me uns quantos beijinhos. Vou tirá-lo da cama, penso.
- Papá! Já tá!
Ai ele é assim?!? Por encomenda?!? Humpft!

domingo, abril 09, 2006

Terrores Nocturnos

- Ó Vasco porque é que durante a noite não deixas dormir a mamã e o papá?
- Eu tenho medo, mamã!
- Medo do quê?!?
- Medo da cóba!
- Que disparate! Qual cobra?!? Não há cobra nenhuma no teu quarto!
- Há, xim! Há uma cóba no chão no mê cátu!
- No chão?!? Mas então não a vês!
- Mas a cóba fala, mamã!
- O quê?!? E diz o quê?
- Acóda, Váco! Vem u chão!!!!!

Gaffes Infantis ...

Sexta Feira. Cheguei a casa mais cedo devido a necessidade de ausência da empregada. Como o bom tempo se faz finalmente sentir, o V., excitado com a minha presença antes da hora habitual a um dia de semana, pede para dar um passeio antes de jantar. Assenti e saímos ao mesmo tempo que a empregada (Sissi, para os amigos ...). Quando descemos a rua os três, cruzamo-nos com duas ciganas, de idade aparentemente avançada, todas vestidas de preto.
- Sissi! Uma xigâna!
Terror. Vergonha. Mais terror (com aquelas não se brinca ...).
- Sissi ...
Mão na boca do gaiato para evitar uma cena canalha. Esperamos que se afastem e comentamos o sucedido sem perceber como saberia ele (suspeito que a culpada estava entre nós, mas isto pode ser só a minha imaginação a funcionar ...).
Domingo. Descemos a rua só os dois para ir até à pastelaria perto de casa. No final da rua, sentada num pequeno muro, vislumbro uma mancha negra. Tarde demais para mudar de passeio sem dar muito nas vistas.
Mudo o V. para a outra mão a ver se ele não topa e passo de mansinho, transida ... Quando estamos lado a lado com a figura, esta resolve manifestar-se alto e bom som, dirigindo-se a alguém que passava do outro lado da rua:
- Ó vizinha, venha cá ver que por ver não paga nada!
Apanhamos os dois um cagaço de morte, embora por motivos diferentes, creio. Estacamos por mera reacção. O V. recompõe-se e o pior acontece, então:
- Mamã, quéo vêdi a vixinha da xigâna!

quarta-feira, abril 05, 2006

Marta ...

Cá dentro, tenho a certeza que virás.

domingo, abril 02, 2006

Diálogos para mais tarde recordar

- Mãe, as tuas calças? (ar aflito ...)
Convém esclarecer que em 99% dos meus dias eu uso calças e que naquele, por acaso, vestira uma saia.
- A mãe hoje não vestiu calças, vestiu uma saia!
- Porquê?!?
- Então, porque as meninas também usam saias, além de calças, e hoje apeteceu-me!
- Mas tu és uma mamã, não és uma menina!!!!
Como se eu pudesse esquecer-me deste facto irremediável ....
Daí a pouco ...
- Mãe, o pai?
- O pai foi jantar fora.
- Com quem?!?
- Com uns amigos. Tu também tens amigos, não tens?
- Sim, na escola. Mas não vou papar fora com eles!!!!
Pai prevaricador!

quarta-feira, março 22, 2006

As frases do mês

- Eu já xou gândi!
- Quéo vêdi!

(*) Nota do tradutor: "Eu já sou grande!" e "Quero ver!", respectivamente.

quinta-feira, março 16, 2006

Bebé de Fralda

O V. sente-se crescido. Excepto, segundo ele, pelo facto de usar fralda. Anteontem há noite senti terreno favorável e lá iniciamos repentinamente a retirada da fralda.
Aguentou-se. Primeira hora, seco, ida à sanita, xixi. Segunda hora e meia, molhadela geral e pânico: Mamã, tou tôdo moládo!
Mas já que tinhamos começado, e a experiência revelou-se bastante mais positiva que as minhas expectativas, resolvi, firmemente, não recuar.
No dia seguinte o V. ía passar o dia a casa dos avós. Lá fomos armados de três mudas de roupa e redutor de sanita. O V., que fez inclusivé a viagem até casa dos avós sem fralda, estava orgulhosissimo (não deve ter tido nada a ver com as palmas, parabéns e outras manifestações de euforia nossas, claro!).
Deixamo-lo com indicação de ir à sanita de hora a hora, intervalo que notoriamente se tinha revelado mais eficaz no dia anterior.
Quando o fomos buscar à noite, estava de fralda. Segundo os avós molhou-se por diversas vezes (embora pedisse, não chegava a tempo à sanita ...), o que os fez temer pela última muda de roupa limpa.
- Mamã, ainda xou um bébé de fálda, disse-me o V. assim que entrei.
- Então, filho?
- A avó pôs fálda a mim ...
A coisa correu bem. Já se sente melhor sem fralda do que com ela ... Ser mãe e pai é ver sempre o lado positivo, principalmente nestas fases!

segunda-feira, março 13, 2006

O raio do moço fala alentejano!

O V. começou a falar tarde. Nas férias de Verão passadas, quando já desesperavamos e sabíamos tudo sobre linguagem gestual, finalmente, um dia pela manhã, disse a sua primeira palavra: Pão.
A partir daí, tudo se passou num ápice. Pouco tempo depois, dizia mamã, papá, cão ...
Até ao mãe e pai actuais, foi um instante ... Confesso que, desde que ele começou a falar, a minha ligação com o meu filho aumentou ainda mais - gosto especialmente de explorar a sua imaginação, fazendo-lhe perguntas que, normalmente, conduzem a histórias rocambolescas.
Só que, ultimamente, embora o seu vocabulário tenha aumentado muitissimo, bem como a capacidade de construir frases inteiras com nexo e construções verbais correctas, também começou a falar com sotaque ... alentejano! Está bem que temos, na família, algumas costelas, mas, hoje em dia, abandonamos as origens e já ninguém pratica o alantejanês!
Por exemplo: o meu é , o leite é lêti e por aí fora!
De onde terá vindo isto?!?

quinta-feira, março 09, 2006

As noites ... Ai, as noites!

Quatro horas da manhã, tudo em silêncio. Eu, no meio de um sonho qualquer.....
- Mamã!

Acordo, ainda sem perceber bem o que é e de onde veio o som (não há maneira de adquirir o hábito de acordar a meio da noite, bem-disposta, e de instinto maternal ligado ...).
- Que é?
- Ó Mamããããã!
- Dorme, ainda é de noite!
- Ó Mamããããã!
- Eu não vou aí, está calado! (tom de voz já levemente irritado ...)
- Ó Mamããããã!
- Já te disse que não vou aí, dorme!

Silêncio. Safei-me, pensei.
- Ó mê Papáááá!

Menos mal...

terça-feira, março 07, 2006

Ainda o Colégio ...

Quando começamos as nossas pesquisas para seleccionar os colégios onde iríamos inscrever o V., para além dos três onde o inscrevemos e ele não entrou, descobri, por acaso, um pequeno colégio de bairro que nos apressamos a visitar.
Fica numa pequena vivenda ali para os lados da praça de Londres e tem pré-escolar e primária. Chegamos na hora do almoço e fomos atendidos pela directora que prontamente se disponibilizou a mostrar-nos as instalações e explicar-nos o projecto pedagógico e regras de funcionamento do colégio. Gostamos. Muito.
Sentia-se no ar um ambiente familiar, acolhedor, de carinho e preocupação com as crianças. A directora, e outros funcionários com que nos cruzamos ao longo da nossa visita, mostraram conhecer as crianças, os seus nomes e especificidades.
Nota-se também um ambiente de exigência e perfeccionismo que vai desde a obrigatoriedade da visita de estudo de semanal (incluindo a turma dos 3 anos!), até à existência de um quadro de mérito dos alunos, ou ao cuidado com os aspectos práticos - uniforme, por exemplo.
As nossas conclusões incluiram um conjunto animador de pontos a favor, mas também dois pontos contra: as instalações demasiado pequenas (consideramos que na idade do V. é importante dispôr de amplos recreios ao ar livre, principalmente quando se passa a vida trancado num apartamento, como é o caso) e o facto de dispôr apenas de ensino até à 4ª classe, o que iria fazer com que daqui a uns anos tivessemos uma repetição do problema. A este último ponto acresce que daqui a uns anos haverá outros factores a considerar, como por exemplo, uma eventual separação do círculo de amigos entretanto criado.
No entanto, acabamos por aí o inscrever, à laia de segurança, para o caso de o V. não entrar em mais lado nenhum, como se verificou.
Ao longo do processo de inscrições, que durou vários meses e sujeitou o Luís a alvoradas cansativas, por diversas vezes se me colocou a questão: qual o modelo a escolher para o V. nestes primeiros anos de escola? um colégio maior onde necessariamente se sentirá mais perdido no início, mas onde acabará por se adaptar, e criar amizades duradouras? ou um mais pequeno, mais familiar nestes primeiros anos, minimizando, assim, a dor da adaptação a uma vida diferente?
Acabaram por decidir por nós, o que tem vantagens e desvantagens, claro. De qualquer forma, não estou descontente com o que o destino nos reservou.
O V. sempre vai para a tal escolinha de bairro, onde não terá tanto espaço para brincar no recreio, mas onde, parece-me, o ambiente será bastante mais semelhante aquele a que está habituado nos seus três anos de vida.
Em Setembro começaremos pois esta nova etapa a três, cheios de vontade.

quarta-feira, março 01, 2006

Boas Maneiras

Até há pouco tempo atrás sair para jantar fora com o V. era impossível. Impossível do género tira do "Baby Blues" com sopa derramada em cima das nossas melhores calças, gritaria e mãe à beira de um ataque de nervos.
De repente, a coisa acalmou. Tomou-lhe o gosto e, agora, é ele que muitas vezes pede para ir jantar fora e porta-se normalmente que nem um anjinho. O porquê do súbito entusiasmo?!? Não faço ideia. Pela variedade da ementa não será, com certeza, já que o menu pretendido é sempre o mesmo - pão com manteiga, sopa, bife com batatas fritas e gelado, para terminar.
Menus à parte, a verdade é que o nosso diabrete tem já imensas maneiras à mesa. Começa por pedir um guardanapo para pôr no colo, coloca a manteiga no pão sozinho, desde que na presença de uma pequena faca apropriada para o efeito, limpa a boca ao guardanapo (que não o que tem ao colo) e não faz nenhuma daquelas coisas que horrorizam os pais em situações delicadas como esta, de ir jantar fora - tirar macacos do nariz, atirar-se para o chão aos gritos ou puxar a toalha das mesas ... bem, pelo menos, até ao momento.
Este fim-de-semana tiramos umas pequenas férias e fomos até ao Algarve. No Domingo à noite fomos então jantar fora, incentivados pelo pai que queria ver um jogo qualquer na televisão, e pelo V., que na perspectiva de se empanturrar de batatas fritas, concordou, de imediato.
Correu tudo lindamente como é costume. Apetite grandioso, comportamento calmo ... até ao momento em que chegam à mesa os camarões pedidos pelo pai.
Nessa altura, o V., que comia calmamente a sopa, olha espantado para o pai, que entretanto se aplicava a descascar um dos bichos, e grita:
- Mamã! O papá está a comer bichinhos!!!! Blaaaarrrghhhh ...
É compreensível: perante tanta pata, não há verniz que aguente!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

A imagem diz tudo ...


... é assim que nos encontramos constantemente quando se tem um filho de 2 anos (quase 3 ...).



Terminados os treinos para ficar sozinho na escola, econtramo-nos agora a trabalhar para:
- passar a deitar-se mais cedo (ao menos antes da meia-noite, pelo amor de deus!!!!);
- deixar o hábito de terminar a noite de sono na cama dos pais (maldito remédio tomado às 6 da manhã durante 2 semanas ... deviam acrescentar este fenómeno na posologia, secção efeitos secundários).
- ir ao bacio ou ao pató (como carinhosamente o pai designa o "patinho do cócó") e deixar finalmente as fraldas, de utilização bastante mais fácil quando se tem a vida atarefada de um puto de 2 anos.

Vida de pais é lixada!!!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

São Salvador da Bahia ...

... é a minha terra do coração. Muito do que sou hoje iniciei-o lá. Quando cheguei tinha uma vida, voltei com outra na bagagem. Incomparavelmente mais feliz, com mais sentido.
Recordações das tardes passadas na praia do Forte, dos percursos para o trabalho com 35ºC às 9 da manhã, das noites quentes na discoteca ao pé do mar, dos beijos roubados, dos jantares partilhados, das confissões cheias de entrega, dos planos, das dúvidas, das incertezas, enfim, da intensidade.
Salvador será sempre, para mim, a cidade do amor, do encontro, o princípio do resto da minha vida.
Que saudades tenho do cheiro do mar de Salvador e desses desejos a dois ...

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Estado de Epírito ...

Pois é ... Vou ter uma reunião importante daqui a pouco, o Pequeno Gnomo não me deixa dormir, e as minhas conversas com o meu marido têm-se reduzido a algo do género: "Passa-me o creme barreira!".

Depois não digam que não avisei ...

Não, mas entendi o raciocínio...


A barata diz que tem
Sapatinhos de veludo
É mentira da barata
O pé dela é que é peludo




Mãe - "Quem tem uma pilinha?"
Gremlin - "Eu!"
Mãe - "E quem mais?"
Gremlin - "O papá!"
Mãe - "Muito bem!. E a mamã, o que é que tem a mamã?"
Gremlin - "Peludo!"


Imagem retirada do blog de Steve Raker

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Está a Crescer ...

O Pequeno Gnomo está por opção nossa - minha e do pai - desde que nasceu, em casa, com a nossa empregada. Nunca me senti confortável em deixá-lo, com 4 meses, altura em que retomei o trabalho, num infantário onde por mais cuidados que existam, a atenção é dividida por um grupo maior ou menor de crianças, e a exposição às doenças é muito maior - infectário é, creio, nesta perspectiva, uma denominação mais apropiada.

Salvo algumas dificuldades logísticas, por faltas da respectiva empregada, e dependência nossa da mesma, o que nem sempre é fácil de gerir (salvé, avós!!!!) , a coisa correu muito bem - pouquissimas doenças, infância aparentemente aprazível com tudo o que necessita ...

No entanto, com a proximidade da data que marcámos para que ele inicie a sua vida pré-escolar colcocou-se-me uma questão: Como vai ser a adaptação dele? Difícil, com certeza, dado o micro-clima em que tem vivido, com muito pouco convívio com outras crianças (à excepção dos primos, ocasionalmente) e habituado como está, a ter atenção, brinquedos, etc ... em regime de total exclusividade.

Meramente por acaso, a solução caiu-me ao colo. Um dia, em conversa com uma conhecida que tem uma filha praticamente da mesma idade do Pequeno Gnomo, conta-me ela que a filha tinha iniciado o seu contacto com a escola, à laia de ensaio (também ela tem estado em casa), num ATL vocacionado para estes casos (dito assim parece doença ...). No dito ATL havia uma turminha de 4/5 meninos que iam 2 a 3 manhãs por semana, acompanhados da respectiva empregada, começando aí a aprender a brincar em conjunto, partilhar, etc...

Inscrevi o Pequeno Gnomo e começamos essa fase em Maio do ano passado. A adaptação dele fez-se como uma rapidez tremenda, passando a ser inclusivé (estou convencida ...) uma das coqueluches da educadora e demais empregadas do ATL.

Tudo correu, assim, lindamente, até há 2 semanas atrás, em que numa sexta-feira, estando no meio de um dos meus stresses profissionais, me liga a dona do ATL preocupadissíma por achar que o Pequeno Gnomo estava a regredir no seu desenvolvimento.

- Porra! Só me faltava esta!!! - pensei.
- Mas então o que se passa? - perguntei.

Bom, sem nos apercebermos, o Pequeno Gnomo era o único que ainda era acompanhado pela empregada. Para isso creio terem contribuído dois factores: primeiro, o Pequeno Gnomo é o menino que mora mais longe do ATL sendo necessário transporte para ir e vir, pelo que não terá existido tanta pressão por parte da educadora para que passasse a ir sozinho e, em segundo lugar (mas não menos importante, estou convencida), a nossa empregada não vê com bons olhos entregar o seu rico menino nas garras daquelas bruxas que trabalham naquele antro de prodridão. Pelo menos sem que ela as esteja a vigiar com olho de lince e orelha arrebitada.

E esta questão final era, afinal, o cerne do problema. Segundo a dita senhora, por mais que elas (funcionárias) insistissem com a empregada para ir dar uma volta enquanto durava a sessão de socialização, não só ela apresentava cara feia à sugestão, como utlimamente o Pequeno Gnomo não queria ouvir sequer a mais ligeira menção a essa hipótese. Estaria pois a criar-se uma insegurança desnecessária no pirralho que urgia resolver ...

Bom, chamei a mim a responsabilidade de o passar a deixar sozinho na escolinha. Tirei férias no primeiro dia! Imaginei dramalhões e tragédias greco-romanas! Choros até sufocar, gritos lancinantes de "Mãmã, não me deixes aqui!!!!".

A sessão de preparação, realizada na véspera do grande acontecimento, mostrava uma segurança da minha parte que estava longe de sentir - amanhã a mamã deixa-te na escola e ficas lá a brincar com os outros meninos. Vai ser tão divertido, não vai?

A realidade revelou-se totalmente diferente do que imaginei: despediu-se de mim à entrada com um beijo e seguiu pela mão da educadora para a sala. Fiquei uns minutos à espera: vai chorar, vai chorar ... não chorou, não chamou e, vi depois pelo vidro exterior, concentrou-se completamente na brincadeira que o aguardava. Fui-me embora. Quando o fui buscar contou-me entusiasmado como tinha sido a manhã na escola - as brincadeiras, os nomes dos amigos, os desenhos feitos.

Como prémio pelo bom desempenho em mais esta etapa pediu para ir jantar fora ao restaurante do piu-piu (o seu restaurante preferido na Expo!).

Estoirei de orgulho pela coragem com que enfrentou aquilo que lhe pedimos. Tremi também por mais esta prova de como o comportamento adulto influencia determinantemente o da miudagem (enquanto for o de outras pessoas, posso protegê-lo, mas quem o protege de mim quando eu proceder erradamente sem disso tomar consciência?!?).

O Pequeno Gnomo apanhou a estrada que o levará à vida adulta, cheia de desafios, novas etapas, alegrias e desaires.

O Pequeno Gnomo está a crescer ... E eu estou muito orgulhosa dele!

domingo, fevereiro 19, 2006

Desalento

Há mais de 3 meses deixei aqui um voto de esperança, depois de me ter levantado às 5:30 da manhã a fim de inscrever o gaiato num Colégio. Quando lá cheguei era o segundo da fila; mesmo assim, o pequeno gnomo terá sido o primeiro inscrito para a turma dos 3 anos. Repito: O primeiro. Não entrou.

Entretanto, inscrevi o puto num outro colégio, este de Padres Franciscanos. É verdade que quando o fiz as inscrições já tinham aberto há dois meses, reduzindo as probabilidades de sucesso quase a zero. No entanto, havia um factor importante que permitia manter a esperança: Há una anos atrás, pouco depois de ter tirado a carta, o meu cunhado atropelou um jovem numa passadeira. Esse acaso acabou por fomentar uma boa amizade. O jovem atropelado era seminarista, tendo-se entretanto ordenado padre franciscano - com excelente relacionamento no tal colégio! Boa cunha, portanto. E já que no outro colégio o primeiro lugar, sem cunhas, deu no que deu, desta vez uma cunha poderia ultrapassar o facto da inscrição não ter sido atempada. Não entrou.
Voltei a repetir a graça, para outro. O despertador voltou a tocar às 5:30 (este puto há-de pagá-las, a seu tempo!), voltei a ser o primeiro nas inscrições. Além disso, com uma cunha. O meu cunhado - o mesmo, mas desta vez não teve de atropelar ninguém! - é ex-aluno e conhece uma directora. Boa! Primeiro lugar mais valente cunha, desta ninguém nos pára! Não entrou.
O mundo estranho dos colégios e dos externatos particulares deixa-me sempre surpreendido. Sei de um caso em que as inscrições abriram no dia 2 de Janeiro, às 9:00. Um casal pagou a uma pessoa para estar na fila, desde as 7:00 ... do dia 1 de Janeiro. E não se pense que foi a primeira da fila!

Mas afinal não havia uma crise demográfica?! De onde vêm tantos putos? E a crise? Estes colégios não são baratos! Estou, sinto-me, verdadeiramente, fodido! Porra, pá ...

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Jornadas de Divulgação

Consciente das minhas obrigações sociais e de várias lacunas na cultura da nossa sociedade, inicio hoje aqui uma secção de divulgação que bem se poderia apelidar de "Você Sabia Que..." e que promete revolucionar algumas ideias feitas e desfazer os fundamentos de diversos mitos firmemente implantados no nosso subconsciente colectivo.

Eheheh!

Não é nada disso, pá. Apenas queria partilhar convosco uma coisa sobre sexo que descobri há algum tempo e que me deixou surpreendido.

Trata-se de uma receita. Uma receita para fazer filhos.

Julgava eu, na minha enorme ignorância, que quando um casal andava activamente a tentar uma gravidez, o fazia baseado essencialmente na quantidade de remates e não necessariamente na sua pontaria, passe o linguajar futebolístico.
Imagens de filmes vêm-me à memória (por exemplo o saudoso Alfredo, Alfredo, com Dustin Hoffman), com homens frenéticos a sairem dos empregos a meio do horário laboral, escravos do método das temperaturas, os colegas de escritório exuberantes a fazerem claque e as colegas a oferecerem receitas de gemadas "infalíveis".
O regresso sorumbático ao trabalho depois de mais uma tentativa, sob o olhar compassivo das colegas e o escárnio dos colegas, sempre prontos à piada boçal ("precisas de ajuda? eheh"), enquanto palitam os dentes com a unhaca do mindinho.
O sexo ditatorial, com horas marcadas, sob o olhar inquisitorial da sogra ("lá vem o paneleirote que a minha filha arranjou sabe Deus onde, que nem é homem o suficiente para me conseguir arranjar um neto").
Uma leitura deste site desfez logo esse mito.
Então é assim: parece que o sucesso na obtenção de uma gravidez está mais dependente da parcimónia do que propriamente do esbanjamento. Também aqui se aplica a máxima dos Monthy Python ("every sperm is sacred, every sperm is great", ... e por aí adiante, mas retirando a parte da fúria divina).
Por outro lado, e arrumada esta questão da quantidade, vamos à escolha da qualidade, que é como quem diz da marca, do género, do sexo, enfim: menino ou menina?
Dizem os entendidos que os espermatozóides Y, de que resultam meninos, são mais rápidos dos que os seus parceiros de brincadeira, os X. Por outro lado, devido talvez a essa mesma lufa-lufa do dia-a-dia, a andarem sempre numa correria, vivem bastante menos que os X.
Meninas
Quem pretende meninas deve então ter relações 6, 5, 4 e 3 dias antes da ovulação, devendo abster-se nos dois dias anteriores à ovulação. Os Y hão-de correr incansavelmente, de um lado para o outro, até caírem para o lado. Os X vão-se mexendo devagar, mas aguentam-se até 6 dias. Faz sentido. Nos dias subsequentes à ovulação, não devem ter relações.
Sendo mais rápidos, os espermatozóides Y têm um poder de arranque superior aos X - ou seja, quanto mais à frente partirem, mais avanço tomam, ou menos recuperação permitem à concorrência. Sendo assim, se se pretende fazer uma menina, mais vale atrasar a linha de partida: posição de missionário, papai-mamãe, feijão com arroz.

Os ínvios caminhos do sucesso nesta área podem tornar-se bastante inóspitos. Parece que aqui quem sofre mais, potencialmente, são os X, já que a velocidade dos Y lhes permite deixar rapidamente os territórios hostis para trás. Como resultado, a mulher não deverá dar largas à sua alegria por estar a fazer uma menina - ou seja, em linguagem médica, "no orgasm for her".
Como diria o poeta, "quem faz um filho, fá-lo por gosto". Já quanto a fazer uma filha não se registou a opinião do poeta - aqui está a fundamentação científica dessa lacuna.
Meninos
E meninos, como é que se fazem meninos?, perguntam os leitores, maravilhados com tanta sapiência e já desaustinados com tanto erro acumulado - "Viste, viste? No orgasm for her. Não podes ser assim, pareces uma lambona, pensa na tua filha!".
Bom, para fazer meninos a receita é fazer sexo entre 3º dia antes da ovulação e os dois dias seguintes, para dar mais hipóteses aos velozes Y. Para aumentar as possibilidades perante os lentos X, a partida é colocada mais à frente, mais perto da meta, digamos assim. Em linguagem técnica, "do it doggy style".
Há um detalhe curioso - ao 4º dia antes da ovulação, "he should ejaculate today but not inside her vagina". Não vamos tecer aqui comentários a acto tão potencialmente indecoroso, a bem da decência e do carácter didáctico deste poste.
Digamos apenas, em jeito de conclusão, que fazer meninos é uma festa: orgasmos permitidos para elas, sexo à canzana. No entanto, deverão ser estabelecidos limites: Não sujar as cortinas, especialmente se a sogra se encontra por perto a preparar gemadas e mezinhas milagrosas.

domingo, janeiro 01, 2006

O pequeno génio do Mal


O pequeno gnomo que anda lá por casa impôs um regime ditatorial cruel, que não se compadece com os bens com os quais partilha as instalações. Sejam termómetros pela janela, DVD's riscados, paredes escavacadas, máquinas fotográficas estropiadas, mulheres-a-dias lesionadas, não há nada que o impeça de infligir um prejuízo semanal de 20 a 30 contitos. O duende tem 2 anos e meio e apenas vai a um Atelier de Tempos Livres duas manhãs por semana, sobrando-lhe o resto do tempo para a estragação lá em casa.

Há uma personagem incontornável nesta história: uma senhora de 70 anos que acompanha o pequeno gnomo na sua (pequena, porém profícua) carreira criminosa. Vamos chamar-lhe Sissi (nome inventado) para facilidade de identificação.
Na quinta-feira da semana passada cheguei a casa em boa hora - exactamente a tempo de ver o pequeno terrorista cometendo dois actos criminosos, um a seguir ao outro. Inicialmente, no que mais tarde se revelou ser não mais do que uma manobra de diversão, mandou 3 almofadas de sofá e uma manta para o chão da sala, após o que, numa corrida sinuosa pelo corredor e aproveitando-se do facto de eu reagir com a celeridade do Polga num dia não (ou seja, não reagir), almejou alcançar o seu quarto e pulverizá-lo com pó de talco (pela 3ª vez nessa semana).
Tive de tomar medidas disciplinares: "Já de castigo!", gritei.
O castigo não terá durado mais de 5 minutos. Por meio de promessas lancinantes choradas com o coração nas mãos (promessas essas que depois serão esquecidas, qual pacto Germano-Soviético de 1939 ignorado por um outro famoso ditador), o pequeno hobbit consegue enganar mais uma vez o seu progenitor (este desgraçado que aqui escreve, convertido em não mais de um repositor de material estragado lá de casa).
Revoltei-me com mais esta cedência a que fui sujeito (Chamberlain em Munique entregando a Checoslováquia numa bandeja, em 1938?) e decidi tomar uma opção de força: "Agora vais arrumar as 3 almofadas!". A reacção do pequeno gnomo foi a esperada: "Sissi!".
"Porra, que a cúmplice dele ainda cá está em casa!", lembrei-me eu. "E agora, o que é que eu faço? Bom, sigo em frente com esta abordagem, para ela aprender como se deve actuar com ele e não o deixar fazer tantas asneiras", penso eu. "Ainda me vai agradecer, já que desde que o puto lhe deixou uma marca no cotovelo depois de lhe ter agredido com uma escumadeira que a acho, sei lá, mais permissiva".
"Sissi! Sissi!". O grito pungente assombra-me as noites, desde então. Mas não, "a reacção não passará!", pensei eu - "é por uma boa causa".
"Sissi! Sissi!". Da cozinha, noto um silêncio ensurdecedor. Bolas, esqueci-me que me meti com uma parelha: Bonnie e Clyde - ele manda, ela faz. Ou deixa fazer, o que no caso vai dar ao mesmo...
Pronto, mais vale fazer uma pausa, deixar a senhora ir embora para casa dela e depois retomamos esta acção de formação.
Deixo o pequeno gnomo ir ter com a sua cúmplice. É um abraço xaroposo, que me faz lembrar uma cena de um filme de que já não me recordo, de quando o assassino sai da penitenciária e encontra a namorada que esperou por ele durante 20 anos.
Para meu espanto, meu enorme espanto, a Sissi está lavada em lágrimas - "Meu querido! Meu lindo", balbucia ela. Ficam uns bons 5 minutos agarrados um ao outro, ela a tremer, ele já com certeza a arquitectar um próximo plano malévolo. E eu, o novo ogre lá de casa, a sentir-me a Personificação do Mal, o Darth Vader, o George W. Bush, o Co Adriaanse, deslocadíssimo nesta cena retirada de uma qualquer novela venezuelana de faca-e-alguidar. E o pequeno génio do mal há-de engendrar novos crimes, dignos de me transformar os dias num filme indiano, como diriam os outros...

terça-feira, dezembro 27, 2005

Simplicidade Infantil

Outro dia fui passear com o pequeno gnomo (posso usar o nome?!?) para fora de Lisboa. Ao chegarmos ao destino passamos por uma igreja. O pequeno gnomo quer saber o que é.

- É uma igreja - respondo-lhe. Queres saber quem mora lá?

- Xim.

- É o Jesus. Queres ir ver a casa dele?

- Xim, quelo.

Caminhamos pela rua acima de mão dada, até chegarmos à porta da igreja que, verificamos, está fechada.

- Mamã, o Jesus não está em casa, remata o pequeno gnomo.

Santa inocência!

terça-feira, dezembro 13, 2005

God Save America


8 e pouco da manhã.

TV ligada nos desenhos animados. RTP-2, Segundo Canal, 2: que ideia magnífica este nome! De como fazer uma tolice letra de lei...
Serviço Público, portanto.

Programa Zig Zag. O pequeno gnomo absorve tudo o que se passa no pequeno ecran.
Começa a passar um videoclip animado. Há que tempos não ouvia esta música: "This Land Is My Land", Arlo Guthrie escreveu, Woody Guthrie a cantar. Enfim, se não é isso, há-de ser ao contrário. Eu a essas horas também não estou muito preocupado com isso.O pequeno gnomo gosta. Quer ver o próximo. E, para meu grande, enorme espanto, aparece... "Stars and Stripes", o hino nacional americano! Cantado em português por uma cantora cheia de genica.

É isso o serviço público da nossa televisão pública, paga com os nossos impostos: a glorificação da bandeira dos ianques, para a criançada!
Porra pra isto!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Uma coisa realmente importante

Aqui já em baixo encontra-se o objecto do meu descontentamento. Trata-se de um aspirador de brincar, equipado com um balde, vassoura, esfregona, pá, limpa-vidros e, pasme-se, luvas do tamanho que as crianças usam!



O pequeno gnomo que ocupou uma divisão cá de casa há 2 anos e meio não descansou enquanto não teve uma coisa destas. Implorou, sorriu, chorou, berrou. Deu abraços, deu beijinhos, deu gritos de fugir, até que o banana do pai (NR: eu) não resistiu à pressão, à chantagem emocional e pronto: já cá tenho o trambolho em casa.

Posso estar a exagerar um pedacinho a pressão a que fui sujeito - terão sido, ainda assim, uns longos 5 minutos - mas senti-me como se tivesse sido um processo de negociação de semanas.
E agora, o que é que eu faço? Tenho um puto cujo brinquedo preferido é um aspirador. Socorro!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Grandes cavalgadas!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Noddy ao Vivo

quinta-feira, novembro 17, 2005

Bábá. Fãfã! Pháphá!! Mamã :)


Foi hoje que pela primeira vez o puto disse mamã.
Data histórica! Foi uma evolução carregada de espinhos, de progressos e retrocessos, desde o bábá dos primórdios (por vezes diminuído para bá, quando lhe apetecia ser mais querido) ao fãfã, fáfá, e outros sons inclassificáveis.

Foi hoje também que, apesar da preferência dele ir toda para a Pô (a teletubby vermelha), exigiu um balão verde.
Verde, enfim, na sua linguagem: pô para vermelho, lala para amarelo.

Até aqui tudo bem. Agora começa a complicar.

Mão direita no braço esquerdo para azul - o teletubby mais amariconado tem uma pochete (valha-me Deus, estes bifes são tontos ou quê? Mas que raio de role models criaram eles!?).
Mão na cabeça: verde. O Dipsy usa um chapéu.
Deixa de ser tão estranho depois de nos habituarmos. E note-se bem: descobrir, através destas sinaléticas, que lhe apetece gelado de morango e pistachio, envolve uma sensação de vitória que dispensa comentários!

Bom, mas ia eu dizendo - um balão verde.
Voltei atrás para ir com ele à loja comprar um balão. Simples, verde. Daqueles que eu gosto - fácil de encher.
Que não, que não era aquele. O pequeno gnomo começa a ficar vermelho porque não o consigo entender. Mas não era verde que tu querias?! Sim! E é nesse momento que ele aponta para dois balões cheios que estão pendurados na loja - um, vermelho, com um galináceo zangado. O outro, lindo, verdinho, com um leão felino.

Just a Perfect Day...

segunda-feira, novembro 14, 2005

Amanhãs que cantam


Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que, como hoje, senti uma qualquer premência de me levantar às 5 e meia da manhã (bolas, que ainda agora me custa falar nisso!).

O que me levou a tão extraordinária façanha (assaz ordinária circunstância, de facto - grunf!) foi proceder à pré-inscrição do mê-mai-novo (e único, para já) num colégio, de modo a que daqui a 10 meses o petiz possa entrar no pré-escolar dos 3 anos de idade.
A partir de agora, o processo começa a complicar-se - à falta de um familiar, mesmo que afastado, que ostente a patente de ex-aluno, resta arquitectar planos infalíveis de aproximação a quem quer que seja que detenha o poder de meter o puto lá dentro. A porteira do prédio do lado conhece uma senhora que faz lá limpezas uma vez por semana? Vamos convidá-la para um chá!
O objectivo imediato é estar na lista do director para uma entrevista com os pais. É sem dúvida uma boa opção, porque se fosse entrevistar o puto a coisa ainda dava para o torto - ele é um rapaz de poucas palavras. Doze, para ser mais exacto. E duas delas são chichi e cócó, o que à partida dificulta que uma entrevista destas chegue a bom porto.

domingo, novembro 13, 2005

Sabia-me a pato

O arroz de pato feito pela minha avó, em tempos que já lá vão, porque era feito especialmente para mim.

De vez em quando juntava-se a família toda e o prato era invariavelmente arroz de pato, o meu preferido. Era esta a maneira simples com que o meu avô, o requisitante do prato, me mostrava, uma vez mais (todos os dias!) a sua protecção, o seu amor, incondicionais.

Que saudades tenho desses gestos que me aqueceram a infância e adolescência! Bem-hajas, avô, onde quer que estejas!

sábado, novembro 12, 2005

O pequeno gnomo II

O pequeno gnomo gnomo tem o nariz do pai e os meus olhos. É a concretização desse encontro entre o pai e eu, há anos atrás, que nos apanhou de surpresa e nos fez mudar o rumos das nossas três vidas - ele, por exemplo, por causa desse "choque frontal", existe...

Tenho tantas esperanças para ele - não confessadas, não traduzidas em resultados concretos,por medo de exigir de mais -, tantos receios, tantas vontades de ser melhor, fazer melhor que, por vezes, quase se traduzem em dor (desorientação, de certeza!).

É assim a aventura de ser mãe. Ainda bem que é partilhada com o senhor do "choque frontal"!!!

sexta-feira, novembro 11, 2005

Sinto-me pouco produtiva

Sinto-me pouco produtiva, porra!!! Há dias assim: as ideias embaralham-se, os conceitos trocam-se, as frases teimam em sair!!!!

E esses dias são um um campo de batalha porque sabemos que o estamos e também não nos apetece chatices muito menos conosco próprios. A imagem perfeita do anjo e do diabinho a sussurrarem-nos ao ouvido.

Enfim, deixem-me em paz!!!!

quinta-feira, novembro 10, 2005

O pequeno gnomo

quarta-feira, novembro 09, 2005

De olhos em ti...

Já há algum tempo andava para o fazer... Hoje decidi-me! Estou, assim, na blogosfera!

Para já, não sei ainda o que farei deste espaço que conquistei à força de cliques... Parece-me, no entanto, boa política proceder a uma breve apresentação da minha pessoa:

- Tenho 34 anos;
- Trabalho fora de casa;
- Tenho um filho com 2,5 anos;
- E um marido com 38.

Acho que a minha vida, actualmente, resume-se a estes 4 pontos. O que é interessante é que, apesar do número reduzido de pontos, não me resta tempo nem para pensar na vida. Logo, criei um blog... Aliás, para que conste, os meus olhos estão actualmente postos com mais intensidade no terceiro ponto da lista - pequeno pedaço de gente que ocupa grande parte dos meus pensamentos e tempo e de que vão concerteza ouvir falar muitas vezes.

Vamos ver no que dará. A todos os que tenham pachorra para me ler, agradeço antecipadamente.